quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Quarteto Fantástico: 1234 (Fantastic Four: 1234)


CONTÉM SPOILERS 

Na véspera de estrear o novo filme/reboot do Quarteto, lembrei-me de falar um bocadinho de uma história de esta equipa que li recentemente, que é este 1234.
Publicada originalmente em 2001 em quatro issues, sob o selo Marvel Knights, devo de dizer que quando chegou a altura de o adquirir, foi um livro que me deixou séptico: Não sou dos maiores fãs do Quarteto. Conheci esta equipa em criança, devido aquela má adaptação. Ok, por "má adaptação" tenho de ser mais especifico. A dos anos 90. Raios, ainda não chega! A animada! Os desenhos animados do Quarteto Fantástico que davam na SIC! Foi aí que os conheci, e nunca foram muito a minha praia.
É claro que gosto dos clássicos e das grandes sagas espaciais da Silver Age, que têm desenhos fantásticos (fantásticos, perceberam?), quase psicadélicos na sua maioria desenhados pelos grandes Jack Kirby e John Byrne, mas à excepção disso, posso dizer que é uma equipa pela qual não sinto grande atracção. Como já referi, estava ambíguo se devia de comprar esta publicação ou não.
Comprei e ainda bem. Gosto muito dos trabalhos do Grant Morrison (em particular o "Animal Man" e os "Novos X-Men") e não é à toa que este Senhor é um dos mais conceituados escritores de comics que existe, pois ainda não foi desta que me desiludiu. Uma narrativa negra, depressiva e quase esquizofrénica em contraste às aventuras coloridas e bem-dispostas a que eu estou habituado. Isto aliado ao traço do Jae Lee originou uma história que é, sem dúvida diferente.

A narrativa começa como tantas outras histórias do Quarteto: A Sue a sentir-se desprezada pelo marido que está isolado e não lhe presta a devida atenção, Ben a sentir-se mal pelo seu aspecto e o Johnny, à falta de adjectivos em português, a ser um a-hole. Então surge Namor, o Príncipe Submarino (incrivelmente bem desenhado) que começa a seduzir a Sue Storm, e o Dr. Doom que aparentemente têm um planopara desmantelar a equipa membro por membro. Cliché, diria um leitor casual do Quarteto, mas na verdade é aí que esta história se distingue: Morrison usa os clichés habituais de cada personagem mas ainda assim consegue-se distinguir de tantos outros escritores, com algo que é único.
"Ah, e tal... Venho arranjar
a TV Cabo"

Quem conhece Grant Morrison sabe que as histórias dele não costumam ser do mais fácil de perceber, e é aí que esta história peca: Introduziu conceitos demasiado complicados para o leitor casual perceber bem à primeira leitura, especialmente no capítulo final.A Máquina de Xadrez do Dr. Doom que controla a realidade, e da outra máquina que o Reed Richards que supostamente estava preso na máquina de Doom consegue alterar a realidade e construir a sua própria máquina que, por sua vez, compete com a de Doom. Hã? Perguntam vocês. Pois é... Não é fácil de compreender tudo às primeiras.

A arte de Jae Lee é que achei absolutamente fantástica (Não? Ok, deixem para lá). Lembro-me de à alguns anos dar uma vista de olhos nos "Inhumans" (que ainda tenho esperança que seja editado em português), também desenhado por ele, mas não reparei muito no traço. Aqui devo de dizer que é impossível não reparar: Tudo está muito bem desenhado, dentro do mesmo estilo, as paisagens adaptam-se perfeitamente à narrativa. O Namor então... Foi de longe o personagem que mais gostei de ver neste traço. Nota-se algumas semelhanças com o traço de Andrea Sorrentino, não sei se é coincidência ou influência, mas gostei bastante.

Uma história fechada, quase claustrofóbica, com partes bem no estilo das séries "What If?". Recomendo a quem conhece e é fã do trabalho do Morrison, embora saiba que não é o melhor trabalho dele. Penso que não seja uma boa história para iniciantes ou para quem nunca leu nada do Quarteto. Lê-se bem e não desaponta, mas há melhor.

E também... que raio de título. 1234? Parece saído da escola primária.



Fantastic Four: 1234
Grant Morrison, Jae Lee
Nota: 6.5/10

Sem comentários:

Enviar um comentário