quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Homem-Aranha - A Última Caçada de Kraven


CONTÉM SPOILERS

E uma vez que amanhã sai com o jornal Público o livro "Homem-Aranha - Tormento", decidi reler hoje esta história, que considero uma das melhores (senão a melhor) aventuras do Aranhiço, visto que ambas estão ligadas. Felizmente a Levoir editou esta magnifica saga o ano passado, a propósito de uma das suas colecções da Marvel.

A premissa da história, na altura original, hoje em dia nem tanto, é muito simples: Kraven, o inimigo do escalador de paredes, finalmente consegue vencer assassinando o Homem-Aranha. Após te-lo enterrado, decide assumir a sua identidade, para provar que consegue ser um Homem-Aranha superior (bastante parecido com o que Dan Slott escreveu para a linha Superior Spider-Man em 2013. Por isso é que a Marvel é conhecida como "Casa das Ideias" ). Estes eventos culminam com o ressurgimento de Rattus (Vermin no original em inglês), outro inimigo do Spider-Man, que vive nos esgotos de Nova Iorque e que rapta e canibaliza mulheres.




Como já referi várias vezes, o segredo de qualquer história não está no herói, mas sim no vilão. É por isso que, na minha opinião esta história é tão boa: DeMatteis caracteriza Sergei Kravenoff como um caçador, um homem de honra, uma vitima da sua infância que sempre lutou para atingir os seus objectivos e que têm o Homem-Aranha a consumi-lo, como um tormento (cada vez faço mais trocadilhos. Daqui a pouco fico conhecido com a Teresa Guilherme dos comics) e, apesar de dividir a narrativa entre as duas personagens, utiliza mais o Kraven como personagem principal do que o próprio Homem-Aranha.



É uma história diferente. Notei que deve de ter sido fortemente influenciada pelo estilo dark and gritty de histórias como o Dark Knight Returns e Watchmen. Para mim, está para o Homem-Aranha como A Piada Mortal está para o Batman. Funciona quase como um thriller de suspense, com vários momentos inesperados e com uma narrativa quase paranóica, que funciona muito bem, e que consegue deixar o leitor colado do inicio ao fim.De destaque ainda os trechos do poema clássico The Tyger (O Tigre) de William Blake que o autor aqui insere, substituindo a palavra "tigre" por "aranha".


Quanto aos desenhos, nem queria acreditar que este Mike Zeck é o mesmo que ilustrou as Secret Wars (as originais. sigh... "Casa das Ideias"...Pois). Nesta fase, o Homem-Aranha está a usar o uniforme negro, o que ainda dá um tom mais sombrio à história, mas todas as ilustrações estão cinco estrelas. Vemos um Aranha gracioso, com leveza. Vemos um Kraven que nos momentos de raiva se consegue sentir a sua loucura. Adorei quando no primeiro e no último capítulo, vamos vendo um painel sem quaisquer palavras, em que vemos um coveiro a cavar uma cova (gosto muito deste tipo de paineis mudos, que se passam paralelamente à história principal), o que dá uma sensação de dinâmica mas ainda assim, sombria.

Uma história diferente, essencial em qualquer prateleira de fãs do Spider-Man, ou de simplesmente de comics em geral. Não parece inserida no contexto da Marvel, embora hajam várias referencias a outros personagens (como o Capitão América e o Reed Richards).
O final para além de ser um excelente final, algo bizarro e macabro, inspirou outras histórias, como é o caso do Tormento de que irei falar amanhã ou na sexta, e do Guardian Devil, de Kevin Smith.


Até deixava o link para me ajudarem no BookDepository, mas infelizmente esta obra não está disponível. Se tiverem oportunidade comprem a edição da Levoir, dou-vos a minha palavra (e eu, tal como Kraven sou um homem de palavra) que não se vão arrepender.











Spider-Man: Kraven's Last Hunt (Web of Spider-Man #31-32, The Amazing Spider-Man #293-294,  The Spectacular Spider-Man #131-132)
J. M. DeMatteis, Mike Zeck
Nota: 9.5/10





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