quinta-feira, 30 de julho de 2015

Série - Sense8


CONTEM SPOILERS MENORES


Finalmente acabei de ver a série "Sense8" lançada pela Netflix. Devo de dizer que foi uma agradável surpresa: Ver os nomes de  J. Michael Straczynski e dos irmãos Wachowski nos criadores deixou-me curioso. O Straczynski para além de ter escrito uma das melhores runs do Spider-Man (vamos esquecer o One More Day) e outros diversos comics, foi o principal criador da série "Babylon 5" da qual eu gostava bastante. Os irmão Wachowski também são um nome de peso no que toca ao grande ecrã (vamos deixar o "Jupiter Ascending" de fora. E o "Matrix Revolutions", que arruinou a saga. E o "Matrix Reloaded", que não fez justiça à prequela. Bem, vamos só considerar o primeiro Matrix).

A série começa com 8 pessoas de diferentes partes do mundo que subitamente, no seu quotidiano acabam por ter uma visão de um suicídio de uma outra mulher. A partir desse momento, descobrem estar mentalmente conectados, e que conseguem partilhar memórias, sentimentos, sensações e habilidades. Essas 8 pessoas são: Will (Brian J. Smith) um policia de Chicago; Riley (Tuppence Middleton) uma DJ islandesa a viver em Londres com hábitos e amizades pouco saudáveis;  Capheus, um motorista de autocarro do Quénia fã do Jean Claude Van Damme; Kala (Tina Desai) uma farmacêutica em Mumbai que enfrenta dificeis escolhas morais e filosóficas; Sun (Doona Bae) filha de um homem de negócios em Seul (Coreia do Sul), perita em artes marciais; Lito (Miguel Ángel Silvestre), um actor mexicano de novelas e filmes com um segredo que pode arruinar a sua carreira; Wolfgang (Max Riemelt) um ladrão de Berlim que comete o golpe da sua vida; e Nomi (Jamie Clayton) uma transexual de São Francisco. Para além deste leque de personagens, a série conta ainda com a participação de Jonas (Naveen Andrews, o Sayid de "Lost") um terrorista procurado a nível global, que demonstra saber algo sobre estas habilidades.

Nomi (Jamie Clayton) e Amanita (Freema Agyeman), o casal
mais polémico da TV desde o  beijo do Cap. Kirk e da Uhura
Foi a personagem da Nomi que achei mais polémica: Uma transexual activista, perita em hacking que vive com a namorada. Penso que esta personagem só viu a luz do dia mesmo por ser na Netflix, pois não estou a ver nenhum canal (ok, talvez a HBO) a explorar um personagem assim. Explorar e muito bem, pois a Lana Wachowski é transexual bem como a Jamie Clayton que interpreta a personagem, e ambas estão de parabéns, pois criaram um personagem fenomenal e cheio de carisma. Gostei mesmo, ficou muito bem retratada.

Pela sinopse da série pensei que iria ser algo do tipo da primeira temporada de "Heroes". Enganei-me redondamente. Esta série dá muito mais ênfase as relações e ás diferenças religiosas de cada um. Nota-se uma evolução gradual em cada episódio, e para o final já praticamente pensam em conjunto, como um só organismo. A partilha de sentimentos e habilidades também ficou espectacularmente bem retratada, com uma pitada de humor, mas um humor inteligente. As trocas de habilidades entre a Sun e o Capheus estão mesmo qualquer coisa.
Em termos de cenários, só tenho a dizer que está mesmo algo de diferente. Cada uma das 8 cidades diferentes ficou incrivelmente  bem retratada (destaco a cidade de Nairóbi e de Mumbai, para a qual foram necessários mais de 700 figurantes em cada, durante as filmagens).

Só tenho duas coisas a apontar: senti que a personagem do Wolfgang foi um pouco mal utilizada. Achei que se focaram demais na sua amizade com o Felix. Podiam ter explorado mais as diferenças de tipo bom/tipo mau com o Will (policia de Chicago) e estabelecer uma pequena rivalidade ou uma contradição de ideias. Isso e o vilão. A alma de qualquer filme/série deste género, é sempre o mau da fita, e aqui o vilão soube a pouco. O Whispers (Terrence Mann) teve direito a pouco tempo no ecrã, e isso acabou por se reflectir em especial no último episódio.

A Netflix está mesmo no bom caminho: "House of Cards", "Orange is the New Black", "Daredevil" e agora isto. Uma série incrível que se destaca na sua originalidade e nos suas interacções e diálogos entre personagens, com um toque muito especial dos elementos de ficção cientifica e fantasia. Acabou com algumas pontas soltas mas, como a sua recepção foi tão grande e o público adorou, embora ainda não esteja confirmada, é quase certa uma segunda temporada.



Sense8
J. Michael Straczynski, Andy Wachowski e Lana Wachowski
Nota: 8.5/10

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