terça-feira, 1 de setembro de 2015

Green Arrow - The Kill Machine


CONTÉM SPOILERS MENORES


Mais um volume de Green Arrow dos New 52, desta vez o que marca o inicio da espectacular run de Jeff Lemire e Andrea Sorrentino. Os leitores mais atentos poderão verificar que eu passei directamente do volume 2 para o 4, e a razão é muito simples: Não vale a pena bater mais no ceguinho. Embora não seja tão mau como o volume 2, o 3 também não é nada que valha a pena. Passemos agora a este The Kill Machine.

Estava hesitante em começar a ler. Primeiro, porque os volumes anteriores foram o que foram, e em segundo, porque apesar de ler muita coisa positiva sobre esta run, a maioria das pessoas compara este livro com a série da CW, da qual eu não sou grande fã. Felizmente os meus receios não se confirmaram: Este é um volume muito bem conseguido, quer da parte do argumentista, que respeitou o trabalho dos seus antecessores e a mitologia do personagem (quer pré-New 52, quer pós), do ilustrador que eu considero um dos melhores dos últimos anos, quer mesmo da parte do colorista, cujas cores ainda tornam a arte melhor.



Este volume têm duas narrativas separadas: Na primeira vemos Oliver ficar sem a empresa da sua família, e a ser acusado de assassinato devido às acções de um misterioso arqueiro, Komodo, que aparenta saber muito sobre o passado de Oliver na ilha. A segunda, ainda que ligada à primeira, apresenta uma vez mais ao Universo DC o vilão Count Vertigo, que têm um capítulo inteiramente dedicado ás suas origens.



Quando se chega ao fim têm-se mesmo a sensação de ter lido uma boa história. Lemire consegue utilizar elementos icónicos do Green Arrow de Mike Grell ou da história Green Arrow: Year One de Andy Diggle, mas ainda assim inovar, criando uma backstory interessante sobre o passado na ilha e sobre o pai de Oliver, Robert Queen, que na verdade era mais do que um simples empresário. E a arte... Meu Deus. A arte é mesmo muito boa. Para além de conseguir transmitir movimentos e acção nos seus painéis, Sorrentino consegue ilustrar expressões e manter as caras dos personagens consistentes.

Achei um bocadinho mal explorado a parte de tirarem a empresa de família dos Queen do Oliver. Achei necessário, para diferenciar da dinâmica Bruce Wayne/Batman, e assim inserir a narrativa num ambiente mais urbano, como o das histórias de Grell ou da dupla Dennis O'Neill/Neal Adams.

Também não gostei muito dos constantes "My name is Oliver Queen". Desde 2007 que sou fã do GA. Eu sei que o nome é "Oliver Queen". Enfim...

Para mim, um dos melhores volumes dos New 52. Ao nível do Animal Man (do mesmo autor), do Batman de Snyder e Capullo e de tantos outros. Recomendo

Parece que este livro irá ser reeditado numa edição de capa dura Deluxe no inicio de 2016. Vou considerar seriamente a possibilidade de o adquirir.

Podeis adquirir este livro aqui. Arigatô



Green Arrow Volume 4: The Kill Machine (Green Arrow #17-24, 23.1)
Jeff Lemire, Andrea Sorrentino, Marcelo Maiolo
Nota: 9/10





sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Justiceiro - A Ressurreição de Ma Gnucci


CONTÉM SPOILERS MENORES



Saiu ontem o sexto volume da mais recente colecção Marvel/Levoir, desta vez dedicado ao Justiceiro.
Esta história funciona como uma sequela aos volumes O Regresso do Justiceiro (no original em inglês Welcome Back, Frank) já publicados em Portugal pela Devir (em 2004, penso). Embora funcione como uma sequela, o leitor que pegue neste volume sem nunca ter lido os volumes anteriores também não ficará desapontado.
(Já era para ter falado deste livro ontem, mas troquei de turno e acabei de o ler tarde. É como diz o provérbio ahh... "nem só de falar de livros de banda desenhada num blog vive o Homem". Não é grande provérbio, mas aplica-se neste caso).




A sinopse deste livro é muito simples: "Ma Gnucci após ter enfrentado um urso polar, ter perdido os membros, ver a sua família da máfia ser assassinada e ser atirada para o interior de uma casa a arder, parece ter regressado do Inferno apenas com um objectivo: Reanimar a sua rede de mafiosos e vingar-se do homem responsável por todas estas atrocidades, Frank Castle, o Justiceiro. E Gnucci não veio sozinha..."

Garth Ennis esteve oito anos à frente do título do Justiceiro. Iniciou-se com o primeiro arco, Welcome Back Frank, onde introduziu as personagens da Ma Gnucci e da sua família do crime e, no final destes oito anos decidiu que na sua última história iria trazer essas personagens de volta.
Não é fácil trazer personagens de volta dos mortos, ainda para mais vilões menores sem quaisquer super-poderes. Ennis conseguiu ressuscitar a Ma da melhor forma possível, a qual não vou revelar para não estragar o final, mas devo de dizer que está qualquer coisa.

Um livro carregado de humor negro, cenas de violência explícita e referências cinematográficas (umas bastantes discretas, outras nem tanto).
O Justiceiro é um personagem do qual cada vez eu gosto mais, e devo de dizer que provavelmente Ennis é o responsável por isso: Já quando li a prequela tinha ficado com a ideia de que ele era um argumentista bastante competente, e agora tive a certeza. As histórias dele têm um quê de filme de acção dos anos '80, recheadas de cenas politicamente incorrectas, e que acaba por originar cenas muito originais, como por exemplo a cena no zoo (que eu adorei) ou o tiroteio do Frank Castle com uma mulher em biquíni (que eu considero das situações mais estranhas em que o Punisher se envolveu. Isso e lutar com o Travolta, eheh).
Adorei a parte em que o Justiceiro, através dos painéis do pensamento diz algo do tipo "A Ma Gnucci. Regressada do Inferno. É para devolver ao remetente" - E dispara uma bazooka.



Steve Dillon também é único. À primeira vista aos desenhos dele, torci o nariz. Desenha os peitos demasiado largos, os braços pouco proporcionais, as caras demasiado parecidas, etc... mas após começar a ler, realmente decidi que, na minha opinião, este é o melhor desenhista que já passou pelo Justiceiro. Assenta como uma luva na narrativa.

Uma história que assinala a despedida desta dupla, da melhor maneira possível. Surpreendeu-me ver este volume incluído nesta colecção, mas foi uma agradável surpresa.

Para quem tiver adquirido este livro e tenha gostado, penso que os volumes anteriores do Regresso do Justiceiro ainda estão disponíveis na Devir (pelo menos ainda à poucos meses os vi à venda). Contactem a editora e tentem comprar, vale muito a pena.

(Penso que este foi o primeiro arco de histórias da autoria do Ennis que eu li em que não havia um Padre a segurar numa arma...)




Punisher: War Zone - The Resurrection of Ma Gnucci
Garth Ennis, Steve Dillon
Nota: 8/10


(Como não sei até que ponto é que posso fazer isto, peço desde já desculpa à Levoir por usar a imagem da capa sem pedir autorização)




terça-feira, 25 de agosto de 2015

Green Arrow - Triple Threat


CONTÉM SPOILERS MENORES

Jesus... Nem sei por onde ei-de começar. Sim, é tão mau como as reviews dizem. Tudo, mas mesmo TUDO neste livro é mau. Comparado com isto, o primeiro volume, The Midas Touch é uma obra de arte. Tive de pesquisar para confirmar se estas histórias eram da mesma Ann Nocenti que escreveu para o Daredevil (Demolidor). Não sei o que lhe aconteceu para descer para este nível. Todo o livro parece escrito por um amador. Não me quero armar, mas penso que consigo em poucas horas aparecer com um script para algo melhor que estas histórias.


Irmãs gémeas triplas, um homem-urso polar, pseudo-andróides suicidas... Ideias que eu apenas consigo descrever como estúpidas, com histórias que não fazem o mínimo sentido, aliadas a uma narrativa da treta, a diálogos de chacha e a estereótipos que roçam o racismo. A sensação que tive ao ler estas issues foi de que esta senhora nunca pegou num comic do Green Arrow. Aliás, simplesmente em nenhum comic.

Os desenhos não ajudam. Nunca tinha ouvido falar deste Tolibao, nem fiquei com vontade nenhuma de voltar a ver trabalhos dele.

Metade do livro passei a revirar os olhos. A outra metade a tentar percebe o que raio ia na cabeça da autora enquanto escrevia aquela... aquela... trampa

Já referi que o livro contém um ménage com o Oliver Queen e as gémeas triplas? É verdade, e mesmo assim esta dupla conseguiu tornar um ménage numa idiotice. Que perda de tempo. Um dos piores volumes dos New 52 (e da DC em geral).

Estupidez de volume.


Podem ajudar-me e comprar o livro neste link, ou então podem fazer algo mais útil com o vosso tempo e dinheiro, como comprar novelos de lã e aprender a fazer tricô, ou mesmo adquirir o filme Jack and Jill, do Adam Sandler, que comparado a este volume, deve de ser um poço de cultura.


Só há duas coisas piores que este livro: 1ª - Ser queimado vivo, 2ª - Ser queimado vivo enquanto se está a ler isto.

Por favor, elas que te matem.


Green Arrow: Triple Threat
Ann Nocenti, Harvey Tolibao
Nota: 1.5/10




sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Homem-Aranha - Tormento


CONTÉM SPOILERS

Saiu ontem o 5º volume da mais recente colecção da Levoir, "Poderosos Heróis Marvel", desta vez dedicado ao Homem-Aranha e com o argumento e desenhos a cargo de Todd McFarlane na sua estreia como argumentista. Para quem não sabe, McFarlane nos anos '90 estava para ilustrador de BD como hoje em dia o Benedict Cumberbatch está para o cinema e TV. Qualquer coisa em que ele entrasse, atraia milhares de fãs, sendo considerado um ícone da década de '90 (o McFarlane, duh!).
Com o primeiro número a bater todos os recordes de vendas da altura, Tormento divide-se em cinco capítulos ou seja, foi lançado em cinco issues, e foi das primeiras histórias que a Marvel quis que assim fosse propositadamente, para mais tarde voltarem a vender em formato de collected edition.

Durante uma das fases mais estáveis da sua vida, Peter Parker vê-se confrontado com uma série de assassinatos que suspeita estarem a ser cometidos por um velho inimigo seu, o Lagarto, que está mais violento e sedento de sangue do que nunca.
Após confrontar o Lagarto, o Cabeça de Teia é drogado com um veneno, acaba por realizar que este não é o inimigo a que está habituado, e vê-se confrontado por um outro inimigo que julgava morto: Kraven, o caçador, que também aparenta estar a ser controlado por algum tipo de voodoo.

Pessoalmente, é uma história de que eu gosto. Tinha lido à uns anos, no original em inglês, e tinha ficado com a ideia de que era melhor. Em termos de desenhos... Desde as posses do Aranha, ou as lutas com o Lagarto (que é desenhado com uma ferocidade nunca antes vista), tudo no desenho é bom. Em desenho dou 10/10. Agora o argumento... Tal como um bom argumentista não é um bom desenhista, o contrário também é válido. A narrativa inicia-se bem, com um estilo bastante negro, aliado aos desenhos que faz lembrar quase um conto gótico, que se percebe ter sido fortemente influenciado pelo Regresso do Cavaleiro das Trevas. Ao longo das várias issues acaba-se por perceber que a narrativa não é consistente e que vai variando conforme a conveniência do autor, com poucos e "crus" diálogos, embora tenha os seus pontos positivos, como por exemplo a relação entre o Peter e a Mary Jane, que achei muito bem caracterizada.

Quanto a edição em si, gostei muito deste volume da Levoir. Embora a capa não seja do meu agrado, o tipo de papel adapta-se muito bem às cores, tornando-as mais brilhantes, o que cria um efeito espectacular. Só é pena não terem colocado mais material extra, como por exemplo uma história spin-off  também da autoria de McFarlane, da revista Spectacular Spider-Man que está compilada na maioria das edições em outras línguas. Comparado com os livros das colecções anteriores, é um volume pequeno. Têm uma tradução que achei muito engraçada, logo numa das primeiras páginas em que o Homem-Aranha diz sarcasticamente a um assaltante "Oh não! Apanhou-se Sr. Mitra". Está fixe.

Uma história clássica do Aranha, que acaba por se tornar numa semi-sequela para A Ultima Caçada de Kraven (sobre a qual eu já falei aqui). Para quem procura uma história do Aranhiço com bom argumento e desenhos excelentes, vai sentir que só encontrou metade do que procura, mas é sem dúvida uma história (e uma fase) essencial para os fãs de Peter Parker.



Podeis adquirir a edição compilada em inglês aqui.

Spider-Man: Torment
Todd McFarlane
Nota: 7/10





quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Homem-Aranha - A Última Caçada de Kraven


CONTÉM SPOILERS

E uma vez que amanhã sai com o jornal Público o livro "Homem-Aranha - Tormento", decidi reler hoje esta história, que considero uma das melhores (senão a melhor) aventuras do Aranhiço, visto que ambas estão ligadas. Felizmente a Levoir editou esta magnifica saga o ano passado, a propósito de uma das suas colecções da Marvel.

A premissa da história, na altura original, hoje em dia nem tanto, é muito simples: Kraven, o inimigo do escalador de paredes, finalmente consegue vencer assassinando o Homem-Aranha. Após te-lo enterrado, decide assumir a sua identidade, para provar que consegue ser um Homem-Aranha superior (bastante parecido com o que Dan Slott escreveu para a linha Superior Spider-Man em 2013. Por isso é que a Marvel é conhecida como "Casa das Ideias" ). Estes eventos culminam com o ressurgimento de Rattus (Vermin no original em inglês), outro inimigo do Spider-Man, que vive nos esgotos de Nova Iorque e que rapta e canibaliza mulheres.




Como já referi várias vezes, o segredo de qualquer história não está no herói, mas sim no vilão. É por isso que, na minha opinião esta história é tão boa: DeMatteis caracteriza Sergei Kravenoff como um caçador, um homem de honra, uma vitima da sua infância que sempre lutou para atingir os seus objectivos e que têm o Homem-Aranha a consumi-lo, como um tormento (cada vez faço mais trocadilhos. Daqui a pouco fico conhecido com a Teresa Guilherme dos comics) e, apesar de dividir a narrativa entre as duas personagens, utiliza mais o Kraven como personagem principal do que o próprio Homem-Aranha.



É uma história diferente. Notei que deve de ter sido fortemente influenciada pelo estilo dark and gritty de histórias como o Dark Knight Returns e Watchmen. Para mim, está para o Homem-Aranha como A Piada Mortal está para o Batman. Funciona quase como um thriller de suspense, com vários momentos inesperados e com uma narrativa quase paranóica, que funciona muito bem, e que consegue deixar o leitor colado do inicio ao fim.De destaque ainda os trechos do poema clássico The Tyger (O Tigre) de William Blake que o autor aqui insere, substituindo a palavra "tigre" por "aranha".


Quanto aos desenhos, nem queria acreditar que este Mike Zeck é o mesmo que ilustrou as Secret Wars (as originais. sigh... "Casa das Ideias"...Pois). Nesta fase, o Homem-Aranha está a usar o uniforme negro, o que ainda dá um tom mais sombrio à história, mas todas as ilustrações estão cinco estrelas. Vemos um Aranha gracioso, com leveza. Vemos um Kraven que nos momentos de raiva se consegue sentir a sua loucura. Adorei quando no primeiro e no último capítulo, vamos vendo um painel sem quaisquer palavras, em que vemos um coveiro a cavar uma cova (gosto muito deste tipo de paineis mudos, que se passam paralelamente à história principal), o que dá uma sensação de dinâmica mas ainda assim, sombria.

Uma história diferente, essencial em qualquer prateleira de fãs do Spider-Man, ou de simplesmente de comics em geral. Não parece inserida no contexto da Marvel, embora hajam várias referencias a outros personagens (como o Capitão América e o Reed Richards).
O final para além de ser um excelente final, algo bizarro e macabro, inspirou outras histórias, como é o caso do Tormento de que irei falar amanhã ou na sexta, e do Guardian Devil, de Kevin Smith.


Até deixava o link para me ajudarem no BookDepository, mas infelizmente esta obra não está disponível. Se tiverem oportunidade comprem a edição da Levoir, dou-vos a minha palavra (e eu, tal como Kraven sou um homem de palavra) que não se vão arrepender.











Spider-Man: Kraven's Last Hunt (Web of Spider-Man #31-32, The Amazing Spider-Man #293-294,  The Spectacular Spider-Man #131-132)
J. M. DeMatteis, Mike Zeck
Nota: 9.5/10





terça-feira, 18 de agosto de 2015

Green Arrow - The Midas Touch


CONTÉM SPOILERS MENORES


Finalmente, e depois de já ter adquirido todos os volumes,  arranjei um bocadinho para começar a ler os New 52 de Green Arrow (em português, Arqueiro Verde). Pelas críticas que tinha lido online, já sabia o que me ia calhar na rifa mas ainda assim decidi comprar os três primeiros volumes, apesar de saber que só no volume 4, The Kill Machine é que a leitura se torna agradável, depois de Jeff Lemire e Andrea Sorrentino pegarem na run.

Devo de dizer que sou um grande fã do Green Arrow. E quando falo em Green Arrow, falo mesmo no Green Arrow da velha guarda, com o cavanhaque e o chapéu à Robin Hood, que conheci em miúdo na série da Liga da Justiça Sem Limites e que mais tarde tive o prazer de vir a descobrir em excelentes sagas como Year One, Quiver, Sounds of Violence, Longbow Hunters e toda a run de Mike Grell e todos os volumes da autoria de Judd Winick, para além da minha fase favorita da Silver Age, Green Lantern/Green Arrow, de Denny O'Neil e Neal Adams. Tanta coisa para quê? Para mostrar que não sou nenhuma adolescente com as hormonas aos saltos que acha a série Arrow a melhor coisa desde o pão ás fatias.
Como gosto muito do Oliver Queen, posso dizer que vi todas as temporadas. A primeira até nem desgostei. Logo a principio achei o actor muito fraquinho, não gostei do facto de ele ter família viva, não gostei do John Diggle e de lhe arranjarem uma equipa, não gostei da matança e da história da lista, a season finale foi fraquita, mas enfim. Deu para ver e para entreter. A segunda temporada já achei mais fraca, mas ainda assim não posso dizer que não tenha tido os seus momentos. A terceira... não sei como ei-de dizer isto. É-me difícil arranjar palavras que descrevam o meu descontentamento. O Stephen Amell ainda actua pior do que no inicio da série, a personagem da Felicity tornou-se na coisa mais irritante dos últimos anos, em vez de adaptarem o Ray Palmer conhecido dos comics, tornaram-no num ripoff do Homem de Ferro etc, etc, etc... O principal problema foi os escritores da série tiveram ataques de diarreia cerebral. Vou apenas utilizar a palavra merdum para descrever a 3ª temporada (apesar de os episódios crossover com o Flash serem divertidos!).

Já me alonguei demais, e vou agora passar a falar do dito livro.

Apesar de todas as críticas negativas a este novo começo, ainda ganhei alguma esperança. Os nomes dos autores na capa são "nomes de peso" na DC, especialmente o de Pérez. Toda a gente fala mal do Krul devido ao Cry for Justice, mas eu até gostei, para além de achar a sua run no GA durante o Brightest Day bem porreira.

"Banal" é a palavra mais adequada para este livro. Aborrecido, diria mesmo mais. Este volume contém duas histórias: A primeira, da autoria de Krul, sobre um grupo de vilões com super-poderes que transmite massacres online. Achei a primeira desapontante, mas por comparação à segunda é a melhor coisa do mundo. A segunda é escrita por Jurgens, e Jesus! Acho que é das piores coisas que li nos últimos tempos. Jurgens matou o Super-Homem nos anos '90 e agora, com os New 52 atribuiram-lhe o título da Justice League International que ele também consegui "matar" ao fim de 12 issues. Não "assassinou" também o Green Arrow porque não teve tempo de antena suficiente. Os seus vilões, Midas (uma espécie de ripoff do Solomon Grundy (não sei se tecnicamente se pode chamar ripoff já que são ambos da DC) (Estou outra vez a usar parênteses dentro de parênteses. Porra!) ) Midas, e Blood Rose, são dois dos piores vilões que já vi na vida.

A arte é simplesmente má. Apesar de haver um ou outro painel em que o Ollie esteja bem desenhado, numa boa pose, não chega para compensar todos os outros maus momentos. O Peréz têm o nome na capa, mas não participou como desenhista, mas sim como colorista. Gosto de pensar que se tivesse sido ele a desenhar todas as histórias, o dano tinha sido menor.
Ponto positivo para as capas de Dave Wilkins, que estão muito boas.

Os vilões são maus, têm bastantes momentos cliché, criaram duas personagens para fazer de Oráculo, ou seja, equipa de suporte, ambas tão memoráveis e cheias de personalidade como os vilões. Destaco os autores terem a preocupação de explorarem a faceta de Oliver enquanto playboy e empresário, algo que na série de TV não existe. Não recomendo este livro a NINGUÉM.

A principio pensei que a falta do tradicional cavanhaque me iria incomodar, mas foi o mal menor no fim desta tragédia.
Ah, e um dos CEO'S da empresa dos Queen têm uma mão artificial. Estava capaz de apostar a dinheiro que num futuro próximo, esse senhor se vai tornar maléfico.


Daqui a uns dias, o volume dois, que ainda dizem ser pior...



Podem comprar o livro aqui.

Green Arrow: The Midas Touch
Dan Jurgens, J. T. Krul, Keith Giffen e George Pérez
Nota: 4.8/10




sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Guia para iniciantes - DC Comics


Como o prometido é devido, vou deixar aqui uma pequena lista de volumes com o intuito de orientar o leitor que que queira começar a ler banda desenhada da DC Comics, mas que não sabe porque ponta há-de pegar. Vou centrar-me mais nos personagens que tiveram adaptações, quer em cinema, TV ou séries animadas, por isso peço desde já desculpa, mas não vou falar de Sandman nem de Preacher. Ambas merecem artigos próprios.




Graphic Novels Earth One

Tal como a Marvel têm a linha Ultimate, também a DC criou um linha em que são apresentadas as origens dos seus personagens num mundo mais actual, e tudo escrito por argumentistas que não desiludem. Penso que qualquer uma destas Graphic Novel são um bom começo para qualquer leitor. O Super-Homem já vai no terceiro volume e o Batman no segundo. Os Teen Titans ganharam recentemente o primeiro (que ainda não tive oportunidade de adquirir) e já está anunciado à algum tempo o volume da Mulher Maravilha. Na Comic-Con de San Diego deste ano foram também anunciados os volumes do Aquaman e do Flash a saírem em 2016.


Podem adquirir estas novelas gráficas em inglês, nos links abaixo:
Batman                                              Superman                          Teen Titans (Pré-encomenda) 




The New 52



Uma outra iniciativa da publicadora, para atrair novos leitores, foi em 2011 re-lançar todos os personagens com #1, para revitalizar as publicações e tornar menos confusas as cronologias de alguns personagens. Alguns já não viam uma história de origem desde a sua criação na Golden Age (1930). O resultado foi ambíguo: Alguns títulos são muito bons, outros muito maus e alguns assim assim. Como é óbvio, não vou falar individualmente de cada um, mais vale ser o leitor a escolher o personagem do seu interesse, mas vou deixar uma lista dos títulos que eu li e que me parecem merecer uma vista de olhos:

- Aquaman, de Geoff Johns e Ivan Reis 
- Batman, de Scott Snyder e Greg Capullo (das melhores coisas feitas com o Bats nos últimos anos)
- Justice League, de Geoff Johns e Jim Lee (bom para quem nunca leu um comic da Liga)
- Justice League Dark, de Peter Milligan e Mikel Janin
- Wonder Woman, de Brian Azzarello e Cliff Chiang
- Acton Comics, de Grant Morrison e Rags Morales (um excelente reboot do Super-Homem, bem melhor que o título Superman)
- Animal Man, de Jeff Lemire e Travel Foreman




Batman

Bem, e isto das listas não é má ideia, pelo menos para um personagem como o Batman, que só assim por alto me lembro logo de meia dúzia de títulos obrigatórios. Como já referi, a run dos New 52 é muito boa, mas tenho de destacar os seguintes clássicos:

- Batman: Year One - Mais uma história de origem, mas mais antiga. Escrita pelo genial Frank Miller, possivelmente a história que mais inspirou o filme Batman Begins
- Batman: Dark Knight Returns - Para mim o maior clássico do Cavaleiro das Trevas. Também da autoria de Frank Miller, mostra um Bruce Wayne envelhecido que após uma pausa de vários anos, vê-se necessitado a regressar à sua entidade de Batman. Espectacular mesmo.
- Batman: The Long Halloween - A história que acompanha o Homem Morcego numa investigação da máfia, e a procura de um serial killer muito especial, que têm a particularidade de assassinar as suas vitimas em dias feriados. Convém referir que estas três histórias de que falei, foram recentemente editadas em português de Portugal, pela Levoir na colecção 75 Anos de Batman
- Batman: The Killing Joke - Escrita pelo genial Alan Moore, esta história envolve o leitor na perversa mente do Joker, que após escapar do Asilo Arkham, tenta enlouquecer o Comissário Gordon. Penso que foi a primeira história do Bats que li na vida. Vale muito a pena. 




Super-Homem


- Superman: The Man of Steel - Este volume está para o Super-Homem, como o Year One está para o Batman. Uma história que visa recontar uma vez mais a origem de Kal-El, o Super-Homem. Escrita por uma das maiores lendas dos comics americanos, John Byrne. Penso que foi esta a maior fonte de inspiração para  o filme Man of Steel.
- All Star Superman - Escrita por Grant Morrison. Simplesmente a melhor história do Supes alguma vez contada.
- Superman: Red Son - Uma história no estilo What If? E se a nave do Super-Homem tivesse caído na União Soviética? Incrivelmente porreira, mostra um Clark Kent diferente do habitual.





Green Lantern, de Geoff Johns 


Geoff Johns é um génio. Uma das suas melhores histórias de sempre é o Green Lantern: Rebirth, história que traz o Lanterna Verde original, Hal Jordan de volta dos mortos e mostra o seu regresso à Tropa dos Lanternas Verdes. Este senhor continuou a escrever nesta revista por 9 anos. 9 Anos e não consigo pensar numa única revista que não valha a pena ler. Construiu totalmente uma mitologia nova para o personagem e revitalizou personagens que pareciam estar condenados a cair no esquecimento. 5 estrelas.



Arqueiro Verde

Sou um grande fã de Oliver Queen. Para já, não vou relevar a minha opinião sobre a série Arrow, pois no fim-de-semana se tiver tempo, quero falar detalhadamente deste personagem. Para já as minhas recomendações são:
- Green ArrowYear One, de Andy Diggle (A história recontada da origem do personagem)
- The Longbow Hunters e toda a run de Mike Grell
- Green Arrow: Quiver e Sounds of Violence, de Kevin Smith
- Green Arrow: The Killing Machine, de Jeff Lemire
- Green Lantern/Green Arrow - O clássico de Denny O'neill e Neal Adams da década de '70, que pela primeira vez tornou o Arqueiro personagem favorito do público.









Animal Man, de Grant Morrison 

Por falar em génios, o que é que se chama a um senhor que pega num personagem de categoria C, cujos poderes são os de absorver as características dos animais que o rodeiam? Grant Morrison tem aqui um dos seus melhores trabalhos, num titulo divertido, descontraído mas que emaranha o leitor de uma maneira única. Dos melhores títulos de sempre da DC.

















Teen Titans



Os Teen Titans são das minha equipas favoritas de sempre, mas não consegui escolher só uma das runs, por isso tenho de recomendar tanto a de Geoff Johns como a de Marv Wolfman. Á sua maneira, ambas são excelentes. A de Wolfman é mais clássica e pode parecer mais datada, por isso para um novo leitor, talvez seja melhor iniciar pela de Johns.